terça-feira, 8 de abril de 2014

Ostentação e desumanidade

Odeeeeeeeeeeeeeeeeeio.
         Vejo num site de notícias que um adolescente foi espancado até a morte. Entristece-me constatar o quão violenta é a juventude brasileira. O que acontece? Onde está o problema? Nos pais? Na escola? Ou seria esta uma refém da guerra friamente declarada nas periferias das metrópoles? É lamentável saber o quão cruel é o ser humano. O quão mesquinho é o estado de defensiva  que  maioria das pessoas carrega e expõe num faiscar de ameaça. Muitos educadores consideram a missão de ensinar falida, em virtude do aumento do desrespeito no ambiente escolar. Alguns pais, dizem desconhecer qualquer ato de vandalismo por parte dos filhos, deixando os professores a mercê das vilanias de alunos delinquentes. 
         O adolescente em questão foi assassinado em um baile funk. Lugar este, onde tudo conspira para coisas nada edificantes. Ao contrário, geralmente são nesses recintos em que se "bater de frente é só tiro, porrada e bomba". Vale lembrar que foram um grupo de funkeiros que depredaram um hipermercado na Zona leste de São Paulo. A cultura do " quem manda é nóis" recebe um grande aval desse tipo de música. Esta, resume-se a uma batida repetitiva com algum sampler de qualquer hit do momento. E as letras versam na sua maioria, há cultura de um almejado estilo de vida, no qual seus adeptos nem de longe conseguem dispor, sem ser através de meios ilícitos. Na verdade, é uma "música" que coisifica o ser humano, usando a máscara da "ostentação". Obviamente, brigas não acontecem somente nos bailes funks, entretanto, mediante a notoriedade desses eventos, fez recair na sociedade o comportatamente preocupante de nossos jovens. Faltam bons exemplos? Sim. As pessoas parecem ter esquecido a palavra PAZ. A todo momento elas pronunciam o nome de Deus, e sequer assimilam o grande ensinamento que Este deixou. Ao contrário, usam-no pra atacar, uma vez que a cultura da violência tá tão impregnada que fazem-no, "de escudo". Está aí a explicação para o "sucesso" da música de Valexxxca Popozuda. Sim, a maioria dos Novinhas, querem ser as Tops! Quem olhar torto é pra ralar fora porque deve tá é com inveja. Estas Novinhas querem pegar vários meninos. Estes, tem que tá no estilo. Só na ostentação. A lei geral é: tem que ser o Pica-das-galáxias. Pegar geral. Tratam-se, como se fossem descartáveis. Num baile o importante é beijar o maior número que conseguirem. E ainda por cima se dizem tementes a Deus. Qual Deus?                                     
          -Pais, como vocês desperdiçaram o legado deixado pelos antepassados? Cadê a severidade na hora de dialogar com os filhos? Os tempos são outros? Sim, entretanto, a mesma capacidade que um filho tem de aprender a ofender, ele tem pra evitar desordem. Paz, começa na mente. Mentalize, fale e aja. Coisas edificantes, não destrutivas. É isso que esses jovens precisam vivenciar. Quanto mais cedo a criança conhecer a noção de respeito ao próximo e os princípios de benevolência, mais cedo ela se tornará resistente aos caminhos que prejudicam o bem está do próximo. A escola, não deve desacreditar jamais no seu poder de formar cidadãos civilizados. Quantos professores não gostam de serem reconhecidos pelo seu trabalho? A maioria se sente em êxtase, quando reencontra um ex-aluno que foi auxiliado a conhecer os bons caminhos da vida, através de suas aulas. Entretanto, o aluno deve trazer de casa a noção de humanidade. Esta engloba paz e respeito a vida de todos.  

domingo, 6 de abril de 2014

Metido sem eira nem beira

Piauí: Tenho sim, muitas saudades.
       Outro dia, recebi um convite para visitar uma amiga que não via há mais de dez anos. Era dos tempos da escola. Estudamos juntos o colegial todo e ao longo disso, uma bela amizade se fortaleceu. Mas, com o término do ensino médio, vieram as grandes decisões: e agora? o que fazer? Nos rincões do Nordeste, a sina é se aventurar rumo a São Paulo. Foi isso que fizemos. Ela, porque era noivo de um morador de Sampa, eu, há tempos almejava vir a Sampa. Tanto pra trabalhar, quanto por uma vontade doida mesmo.  "E foi um difícil começo"... óbvio. E, voltando ao convite, é claro que fiquei muito feliz. Ao contrário do que dizem, o mundo não é pequeno coisa nenhuma. Em São Paulo então... é uma vastidão oceânica. Pequeno é o tempo que dispomos para dar atenção nossa família, fazer uma leitura ou ter outro lazer, como rever amigos de longa data, entre outros não tão longínquos, que somem nas intempéries do destino.
        No dia do encontro, sai com duas primas rumo a visita especial à antiga colega de classe. Ela, que morava na Zona Sul, nos recebeu com um largo sorriso. A mim, logo exclamou: - Você não mudou nada! Minutos depois dos cumprimentos, ela dispara num misto de inocência e resentimento: - ninguém da nossa sala se formou em médico. O que nos fez cair na risada. Do sertão de onde viemos, é quase raro alguém conseguir estudar medicina. Falei que recentemente, me formei em professor. Ela deu os parabéns. Em seguida, conversamos sobre a vida num lugar que é totalmente o oposto a nossa terrinha. Cada um contou em poucas palavras, a sua vida em Sampa. O trabalho, o bairro, as formas de lazer... , do medo das manifestações violentas ,etc. Enfim, chegou a hora do almoço. Vieram os irmãos de minha amiga e suas respectivas esposas. De novo os cumprimentos. Um dos irmãos repetiu o que minha amiga disse: - O Cadu tá do mesmo jeito. O almoço prosseguiu, encontro de piauienses: galinha caipira no cardápio, é claro. Ao som de forró, sim senhor. Esqueci de contar que no café foi servido um delicioso bolo de polvilho.
        Após o almoço, um dos presentes perguntou a uma das minhas primas: -Você gosta daqui? Ao que ela respondeu negativamente. A outra prima também desafiada: - Não. Mas, é o jeito né. Dos dez presentes, com excesssão da filha pequena, só eu afirmei gostar de São Paulo. Entretanto, não me prolonguei no assunto, deixei a imaginação deles tirar quaisquer conclusões a respeito disso. O fato é que após esse encontro, eu pús me a pensar: - estarei negando minhas origens? Noventa e nove por cento de meus conterrâneos levantam a bandeira piauiense aos quatro ventos. Estão sempre visitando a terrinha nas férias. Postam coisas alusivas ao Piauí nas redes sociais e etc. Eu entretanto... levei até fama de metido! Na verdade, esse rótulo há tempos me puseram. Incompreensão, é claro. Não contei a ninguém como gosto da liberdade, que é andar pelas ruas de São Paulo sem ninguém me conhecer e me julgar. Goza-se de um anonimato totalmente libertador. Não. Não me sinto perdido na vastidão de Sampa. Eu me encontro na plenitude que minha solidão proporciona. Sou eu e o mundo. Nasci só e morrerei só. Há tempos desisti de buscar ser compreendido. Não me basto. Lógico. Entretanto, não quero me limitar a unilateralidade das coisas que sempre ouço e vejo nos outros.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A sedução do perigo em Um estranho no lago

Os atores Christophe Paou e Pierre Deladonchamps  em cena do filme
      Recentemente assisti ao filme Um estranho no lago. É uma produção francesa que, a princípio me chamou a atenção pela temática gay abordada. E é um filme para um público de mente aberta. Que não se incomodará com as cenas de sexo entre dois homens. Há até um close num oral explícito. Mas, são elementos que combinados a outros entregam um bom filme. Tanto o roteiro, quanto a fotografia, entre outros aspectos, prendem o olhar e a mente do cinéfilo ao se deparar com um drama com ares de suspense.
      Acompanhamos as idas de Franck, um jovem que frequenta um lago de águas reluzentes, onde outros homens se reunem para tomar sol e flertarem. Isso mesmo, nesse lago e no bosque que o circunda, o sexo sem compromisso rola solto. São as famosas "caçações", infelizmente uma realidade entre a comunidade gay masculina. Nessa trama não aparece nenhuma personagem feminina. De início, Franck conhece Henri, um homem solitário. O único que não vai àquele lugar pra caçar, preferindo ficar sozinho do outro lado do lago. Uma amizade é iniciada, entretanto, a mesma não é cultivada além lago, pois Franck logo se apaixona por um estranho bigodudo,de nome Michel, que passa a frequentar o lugar. O que é correspondido, após o acompanhante do "estranho" ser encontrado morto no lago. Mesmo com suspeitas pairando no ar, Franck se entrega aos riscos do envolvimento com Michel. Na verdade, se entrega a todos os tipos de risco a que essas práticas  implicam, pois numa cena de pegação, Franck não portava preservativos. E em meio a gravidade desse misto de sedução dos riscos, há até espaço para comicidade, quando um voyer é enxotado pelos "nudistas em ação", que queriam privacidade nos matinhos. Em outra cena, o mesmo voyer é expulso, pois os rapazes não iriam trepar e sim, discutir a relação.
     O mais abismante nessa trama, é que mesmo com a morte de um frequentador, nada altera a rotina dos banhistas. Ao ser interrogado sobre a morte ocorrida, Franck responde algo como: a gente tem que viver. E mesmo com todas as suspeitas apontando pra Michel, ele se afunda cada vez mais aos riscos do envolvimento carnal, a qual estão entregues muitos frequentadores desses lugares. Em nossa realidade, são muitos os frequentadores, que foram vítimas de algum crime. Mesmo assim, essa prática continua em pleno anoitecer. Na trama, Henri com sua tristeza, representa uma resistência a esses riscos que seduzem tantos jovens (na verdade velhos também) presos aos apelos da carne. Ele se esforça em alertar Franck sobre os perigos que rondam aquele espaço. Mesmo assim a sedução do perigo fala mais alto. E é das águas cintilantes do lago ou do escuro do bosque que o pior pode acontecer.
 
   

Ao correr do teclado II

Ao som de Happy By Pharrel Willians

Uma Thurman em cena de The accidental husband
        Já faz um tempo que me aventurei a apreciar o cinema não hollywoodiano. E foi uma das melhores descobertas que fiz. É um cinema produzido com um afinco e precisão. Algo que é possibilitado sem o peso da clicherização e obviedade que são a base dos filmes “empurrados” às grandes massas. O que por sua vez, acarretou no mito que filme bom é aquele com história comovente  ou de super- heróis. Filmes “parados” nem pensar! Nossos jovens não foram educados para entender os processos artísticos, quaisquer que sejam. O que é arte? Por que o cinema é considerado a 7° arte? Se bem que, essa  nem eu sei. Mas, vou pesquisar.
         Isso me trouxe à tona, um acontecimento marcante da minha graduação: o professor de linguística perguntara “o que é literatura”. Nós, no 1° semestre de letras, fizemos um silêncio sepulcral. Tanto gosto pela literatura; tantas obras lidas por prazer; Todo (de alguns) um interesse em aprender a matéria e, no entanto, foi patético não sequer tentar responder. Devia ser porque estávamos no começo do curso. Mesmo assim, isso revela o modo de vida corrido e objetivo demais do nosso tempo. Há também as malditas distrações que nos cutucam. Eu, por exemplo, fico horas á fio vendo as bobagens da TV aberta e folheando revistas de celebridades. Outro fator patético, é a grande notoriedade que os nossos jovens dão às redes sociais: um ser humano, que tenha até 50 anos não ter facebook é considerado quase uma anormalidade. Tamanha alienação à qual estão submetidas a turma moderníssima desse começo de século.

        Comecei falando de cinema e já me perdi todo. Foco. Foco. Tenho que focar em algo e dar um jeito em minha vida. Mesmo que eu seja repetitivo. Mas tenho que honrar o que me define. O que? Deve ser o ar, o elemento que rege meu signo: gêmeos. Dai a bipolaridade: i’ve been so high. I’ve been so down. Ai Madonna! Sempre me emocionando. Eis uma artista do mainstream  que estará sempre em meu conceito. Poderia me inspirar em sua determinação. Medo é algo que Madonna não conhece. Se conhece, não deixa transparecer. Voltando atrás, esse foco! Foco! É outra lembrança da graduação. Deu saudade dos amigos. Já sei vou sucumbir à maldição hollywoodiana e assistir a uma comédia romântica: The accidental husband. É com a Uma Thurman que  dispensa apresentações. Afinal, sou romântico e não sou de ferro pra ter que ver só filme de arte. Chupa cinema europeu! Ah lôka! Esse filme é estadunidense e irlandês.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Ao correr do teclado

Ao som de Brand New Me, By Alicia Keys

       É com um certo pesar  que nem sei do que discorrer aqui. Bateu um vazio. Uma impotência: “Não é nada é só coisa da sua cabeça” me dirão alguns. O que importa? Aqui estou. Já é outro momento. Consigo superar qualquer coisa. Fingindo não sentir é meu modo de não encarar a realidade. Não nos damos muito bem. Tentei entendê-la mas, até agora é só estarrecimento, estapafúrdia e mais um a porrada de substantivos desagradáveis. E que calor dos infernos! “Mas você é nordestino” disseram-me. Outra escarneou: “O Du é do Sul” Que porra! Falem bem falem mal, mas falem de mim. E assim linda e loira (Who?) mantive minha altivez, com o suor escorrendo em plena tarde no centro paulistano.
       Esse ano vai ser babado. Vai ter copa aqui, vai ter eleições e claro, aqueles velhos problemas que afetam o cidadão comum, que trabalha para pagar um monte de impostos. E muitas vezes, não tem o retorno de sua contribuição. Vou discordar de José Simão: Nóis sofre, mas às vezes nóis não goza. Ao contrário, gozam da nossa cara. Tão tirando a favela. Vide a polêmica dos rolezinhos. Algumas das marcas “ostentadas” pelos famosos participantes dos rolezinhos, não gostaram nada de ter sua imagem associada aos rolezeiros.  “Nóis só quer curtir” dizem eles. Fico pasmo com tanta alienação e aproveitamento disso por parte de outros. Nada está perdido, pra cada ação, uma reação. Uma semente, nem sempre frutificará para quem a plantou. No nascimento do fruto, tantos carpiram a terra, regaram a planta e então, cada um pega sorrateiramente o que lhe convém. Quanto pessimismo né? Pois é. E é tudo tão incerto, como filosofou Clarice Lispector.
       Pra variar, estou abalado por quem sucumbiu a maldição das drogas. Foi no domingo, 02 de fevereiro, um ator hollywoodiano talentosíssimo se foi. Como somos falíveis. Veja só: rico, famoso, uma bela família, carreira em ascensão... ele deixou tudo e todos que lhe admiravam. O mundo está perdido. Eu sei. É tão mesquinho qualquer forma de envolvimento com entorpecentes. Quantos não já se foram? Quantos ainda vão sucumbir a estas? Às vezes dá vontade de ir a um mosteiro e ficar o resto da vida. Talvez o desejo seja mesmo o culpado de nossa infelicidade. Digo, daqueles que recorrem a qualquer meio para não enfrentar, com lucidez e determinação as durezas e complicações das gentes.  Oh espíritos errantes sobre a terra! Castro Alves, seu lindo, errantes era no seu tempo. Agora a coisa tá feia mesmo. Pra se viver, tem que filtrar muita coisa. É tanta informação, tanta promoção, tanta frivolidade, tanta banalização. Cansa só de constatar.



A fruição demasiada de A maçã no escuro

      Muitos críticos literários discorreram sobre a dificuldade de compreensão do romance A maçã no escuro, de Clarice Lispector. Reli-o, e mesmo assim, não consegui extrair o essencial do que a autora quis “desabrochar” com tão densa obra. O que não significa que não tenha gostado do romance. É excelente. Por isso me encarrego de anotar alguns aspectos desse livro, este que segundo a autora, é seu trabalho mais bem estruturado. O que Clarice quis dizer com isso? Bem, esta obra abrange tanto da humanidade em seus desejos, sua linguagem, suas normas... que fica difícil captar o que realmente norteia essa obra. Como pegar uma maçã no escuro?
Edição de 1999 da editora Rocco
       Pois bem. A maçã no escuro foi escrito em 1956 e publicado somente em 1961. O personagem principal desse romance é Martim, um homem que julgando ter assassinado sua esposa, perplexo pela fatalidade desse ato, acaba se refugiando “no coração do Brasil”. Como se todo seu passado tivesse acabado, após o suposto assassinato, Martim renuncia a todas suas habilidades, sua formação, e se submete a trabalhar no sítio de Vitória. Ao chegar no sítio e pedir água, Martim deixa um trabalhador  e a proprietária desconfiados. Fato que se agrava quando ele diz está ali à procura de emprego. Vitória reluta ao dar-lhe emprego, uma vez que Martim se apresenta como engenheiro. E os serviços disponíveis no sítio, eram trabalho para lavradores. Outra desconfiança que perturbou Vitória, era quanto a origem de Martim, que dissera ser do Rio de Janeiro, mas seu sotaque não era carioca. Ela o acolhe no sítio, dando-lhe o emprego. Movida pela desconfiança, empenha-se, em dar severas ordens a Martim. Vitória, administrava o sítio com mão de ferro e tinha como companhia, uma prima sua: Ermelinda. Esta, não nutria o menor interesse pelas coisas do sítio. Era muito sensível e voltada as preocupações do espírito. Fato que Vitória atribuía a uma “infância presa ao leito”. Tal sensibilidade, não a impede de utilizar truques para chamar a atenção de Martim. Truques que dão um tom de comicidade a narrativa, ao lançar mão das frases feitas ditas por mocinhas apaixonadas.
        Pouco a pouco, Martim vai se familiarizando com a rotina do sítio. Uma das passagens mais instigantes, é quando Martim, se vê obrigado a metamorfosear-se numa vaca, para assim conseguir entrar no curral e limpá-lo. Toda a narrativa é tecida de modo a não deixar dúvidas no leitor. O que constatamos a partir das várias comparações (com o uso da conjunção como mesmo) dos pensamentos e atos dos personagens. O que por sua vez, nos leva a crer que é sobre o poder da linguagem que Clarice Lispector quer discorrer. E o assassinato e a fuga, são um mero instrumento para trabalhar a inerente linguagem humana que move o mundo. Outro aspecto que comprova isso, são as frases aspeadas  em várias passagens da narrativa. Essas, retomam a experiência humana em sua missão de existir e ser linguagem. Além disso, a personagem Vitória, confessa a Martim seu desejo de ser poetisa. Mostrando-o, o começo de uma poesia e seu suposto significado. O que contrapõe sua imagem de mulher forte e rude que se apresentara a Martim inicialmente.
        Qualquer que fosse o crime (na verdade não houve) de Martim, haveria a punição. Se seu ato fora em nome de uma libertação, para com os códigos que regem a sociedade, ele haveria de responder por isso. Do contrário, do que adiantaria tanto trabalho que a humanidade teve desde os tempos primórdios? Tantas análises do comportamento humano e do que é melhor pra manter a ordem comum? Estas e outras explanações dão a tônica desse livro clariceano. Este é um exemplar obrigatório em qualquer estante. Especialmente para quem já está familiarizado em assuntos clariceanos.

         

sábado, 21 de setembro de 2013

Rock, pop, samba, funk, eletrônico,axé,folk, indie-rock e afins no Rio

       Não fui ao Rock in Rio. Nem queria ir mesmo. Prefiro assistir a shows com todo o conforto que uma boa casa de espetáculos possa proporcionar. Não sou de euforia mesmo. Odeio carnaval ou qualquer coisa que evoque aglomeração, euforia enfim... Assisti alguns shows no aconchego do lar e o bom desses festivais, pra quem adora música como eu, é a oportunidade de conhecer novas bandas. Se forem bandas novas, acho engraçado o esforço que elas fazem pra aprenderem o nosso idioma. As divas da pop e as bandas já consagradas limitam-se a falarem Rio de janeiro e só. Simpatia mesmo, só dos estreantes que estão ainda formando seu público. A necessidade faz vir a iniciativa. Nosso português é exótico, dizem os já famosos.
       A queridinha (não só dos gays) Beyonce, dançou o famigerado e irritantíssimo " passinho do volante". E eu que até gostei de seu show. Uma performance de primeira, com seus cabelos esvoaçantes; figurinos impecáveis; coreografias desafiadoras; sua banda competente. Pra terminar com lek lek lek. Mas o Brasil é lúdico, pra não dizer outra coisa que exprima a bregolãndia de música com a qual a maioria do povo brasileiro se identifica. É o cúmulo da primitividade e tá introjetado na mente dos nossos jovenzinhos. É o funk "ostentação". Ostentar o quê? Pra quê? Pra ficar esperando incessantemente o 5° dia útil, pra pagar o mínimo do cartão de crédito ainda. Francamente. É que tem certas coisas que me revoltam. Até esqueci que comecei falando de música. De boa música. E o que foi o show de Florence and The machine? Sua voz estridente; a harpa e o som etéreo e o coro suavíssimo? Inebriante. Era a fada Florence Welch, que declarou seu amor ao Brasil e após anoite do show ficou encantada com o Cristo Redentor. Outro show competente foi o da Neozelandesa Kimbra, que teve a participação do Olodum. Inusitado sim. Mas deu certo. A simpatia e o talento da moça  conquistou fãs. Ela, que ficou encantada com a capoeira e o ritmo do Olodum. O ápice dessa apresentação foi um cover de "They don't  care about us". Responsabilidade posta a prova que, graças ao grupo brasileiro, funcionou. E que venha o próximo Rock in Rio.