domingo, 1 de setembro de 2013

Profissão Coragem

       Ser professor não é fácil. Todo mundo sabe o quanto é árdua essa tarefa dentro ou fora da sala de aula. O salário é um dos mais baixos do mercado. E além do mais, muitas pessoas não veem o verdadeiro valor que essa profissão possui. Diante disso, muitos professores desistem em menos de um ano, deixando para trás, o que poderia ser uma vida de semear e colher o conhecimento.
       Pra ser professor, deve-se antes de tudo, gostar de dar aulas. Isso requer um forte altruísmo para que se possa ministrar aulas, diante dos inúmeros obstáculos que ocorrem numa sala de aula ou na escola como um todo. Em sala de aula, principalmente das grandes cidades, a convivência com a indisciplina é rotina. A maioria dos alunos não estão nem um pouco interessado em assistir aula. Cabendo ao professor ter um grande equilíbrio para saber lidar com esse fator. Voz ativa e propósitos educadores firmes são requisitos imprescindíveis para isso. Carregar em sí mesmo o valor do seu ofício e demonstrando isso aos alunos. Não se acovardando. Enfrentar, expôr o conhecimento. Interagir com a classe, com humildade e sapiência. Mostrar, antes de tudo valores humanos. " Demasiadamente humano" sim. Para orientá-los como viver de forma pacífica e construindo, por meio do conhecimento ensinado, a fazer uma sociedade mais digna.
       Nas salas de aulas, principalmente de escolas estaduais percebemos nitidamente os reflexos das mazelas sociais. Alunos usuários de drogas, alunos provenientes de lares desestruturados, alunos discriminados seja pela orientação sexual, cor da pele etc. Muitas vezes, as famílias por não serem bem informadas, esperam que a escola, unicamente, resolva os problemas dos filhos. Não os educam, omitindo -lhes, o que era essencial. E quando os professores não conseguem colocar o aluno nos eixos, os pais os culpam  por isso. Ficando o embate escola versus família. E haja diálogo para resolver esses conflitos. Ser professor, implica também ter olhos de águia. Para que se observe, quando um aluno das séries iniciais, esteja com algum problema de saúde. Há casos, em que as famílias, não entendem a tensão de uma sala de aula e proferem horrores ao professor, quando esse não percebe numa criança uma febre alta, por exemplo. Ameaçam mesmo. Com a vida não se brinca. Quando essa não é acompanhada por bons valores então... haja diálogo para remediar o que uma sociedade com tendencia á violência provoca. Ou seja, muitos vivem sob o slogan " comigo não". Quase todo mundo vive na defensiva. Na lei do mais forte.
        E não existe fórmula certa pra exercer dignamente esse ofício. Provas e mais provas serão passadas. Amor e coragem são ingredientes básicos pra qualquer educador que queira encarar essa digníssima tarefa que não se resume a entrar numa sala e demonstrar os conteúdos programáticos. E sim, por ordem no caos que é o ser humano, nessa aldeia louca que chamamos de sociedade. Na verdade, é tanta informação, tanta coisa frívola, que estamos até saturados. O jeito é, segundo os mais otimistas, utilizar-se, primeiramente de algo frívolo que o aluno assimile, para chegar-se ao que realmente importa ser trabalhado. Ou seja, se o aluno gaba-se do funk, use-o como ponte para chegar a um conteúdo realmente útil. No fim, o aluno será capaz de analisar qual conteúdo está carregado de bons valores.
     
         

domingo, 25 de agosto de 2013

Sei que há

         Era sexta à noite. Recostei-me no alpendre e avistei uma lua pra lá de cintilante. Mal pude acreditar no muito que me foi dado naquele momento. A luz lunar, mesmo que emprestada deu asas aos meus anseios. Uma leve brisa soprou-me à face embebida na vertigem momentânea. Eu era um romântico. Longos minutos passaram. Na rua, poucas motos corriam. Poucos carros. Aquela hora já era um chamado do sono. Sono, que eu recusara a obedecer e recorri a um café forte para prolongar a embriaguez daquele instante.
         Aos poucos, fui recobrando a insossa realidade. O pesar das horas já estava à espreita. Voltei aos livros. Mas antes, tentei recriar na memória aquele momento do deslumbre ao luar. Tão distante ela estava, mas significava tanta beleza eterna. Ela que só tem quatro faces e mantem o esplendor de sempre. Enquanto nós, reles mortais, desdobramo-nos à procura de novos estilos e maneiras de conservarmos a juventude. Alguns gabam-se de se entregar as efemeridades do mundo moderno. Já disse Drummond: "eta vida besta meu deus." Pois não é? Ainda morrerei dessa ponta de recalque. Eu moderno? Só que não.
         Acho que no momento lunar entrei no "estado de graça". Ou seja, num estado em que não desejamos mais nada, pois nesse momento se tem uma sensação indescritível de plenitude. E também, refere-se a um momento individual de realização. Ao contrário dos momentos felizes que compartilhamos com terceiros. Talvez, seja um imenso consolo aos solitários. Nunca ouvi falar que outras pessoas consigam sentir-se felizes com uma simples constatação de algo natural como um luar. Se bem, que a lua já é famosa até demais. Basta lembrar da música "Luar do sertão" e suas inúmeras gravações. Mas eu estava em plena São Paulo cinza, no "meu apartamento perdido na cidade". A São Paulo dos 1001 entretenimentos. Se existe amor aqui, eu não tive. Mas sei que tem. Por enquanto, estou a zero, ou seja, sem inspirações amorosas. Há tanta coisa pra fazer.

sábado, 17 de agosto de 2013

Seboso

       Na correria pra comprar as leituras desse semestre a preços módicos, acabei recorrendo aos sebos. Há muitos no centro da cidade. lembro-me de ter lido certa vez que essa profusão de sebos era um reflexo da pobreza. O que tem lá muito de verdade. Toda essa troca e venda de livros, cd,s, dvd,s e afins remete a pobreza do homem que apequenou-se ao comercio. Muitos não desfazem-se de objetos por necessidade, mas, pra consumir algo mais novo. Que logo se tornará velho.
        Quem vai aos sebos com mais frequencia, não é quem vai atrás de alguma relíquia. Mas, quem não tem dinheiro pra comprar exemplares recém saídos da editora. Embora encontram-se nos sebos, livros bem conservados. Alguns novíssimos. Só que a imensa quantidade de livros velhos, com folhas bem amarelecidas provocam espirros e vertigens em seres frágeis ou frescos mesmo. Livros velhos, pessoas velhas, qualquer ser vivo ou bruto sofre com o passar dos anos. Esvai-se o verniz da jovialidade de tudo. O tempo nos rouba tudo. Vou fazer a oração caetânica já. Musiquinha chata. Hoje tou um saco.
         Estou cuspindo no prato que comi. Pois já recorri muitas vezes aos sebos. E toda frustração de hoje, é porque não encontrei os exemplares que precisava. Eu não queria comprar pela internet e ter que esperar quase uma semana pra chegar a encomenda. E até esqueci que os sebos possuem uma das maiores riquezas da humanidade: as ideias contidas nos livros que tanto abrem a mente humana.  Só pelo fato de existirem, até onde as páginas sobreviverem à ação do tempo, elas estarão lá. Como marca de que vivemos e deixamos um aprendizado dessa dádiva que é a experiência de uma produtividade. Afinal, mais importante que possuir um livro novinho, é a oportunidade de manusear o mesmo conteúdo num suporte que já passou por outras mãos. Mãos que transportaram as ideias para perpetuar o conhecimento.
     
     
     

sábado, 10 de agosto de 2013

Ao som de "Love spent"


            

          Há pessoas que deixam sua marca no mundo. Seja na ciência, na política, nas artes etc. O fato é que alguns conseguem apesar de meros mortais, impor sua imagem e conseguir admiração em imensas proporções. Uma dessas personalidades, é a cantora Madonna. O mundo dos espetáculos musicais não foi mais o mesmo depois que Madonna Ciccone surgiu no começo dos anos oitenta.
          Com um pé nas pistas de dança e outro nas FMs, Madonna já veio dizendo a que veio. Músicas dançantes são sua especialidade, embora suas baladas sejam ternas e evocam o lado sensível dessa poderosa leonina que no próximo dia 16 completará 55 anos. E o que essas três décadas acumulam são feitos artísticos de grande relevância: 12 álbuns de estúdios; 9 coletâneas e 3 trilhas sonoras de filmes estrelados pela própria Madonna. Sem falar nas faixas que não entraram nos álbuns e nas participações com outros artistas. Alguns de seus álbuns, alcançaram enorme sucesso de público e de crítica como o fenomenal Like a prayer de 1989 e o genuíno Ray of light de 1998. Outro álbum que provocou um furor com direito a colant roxo e cabelo à la Farrah Fahcett, foi Confessions on a dance floor de 2005.
         O lugar onde Madonna mostra pleno domínio é o palco. É lá que madonna desponta. Seja no seu trono de rainha ou num globo de espelhos indo ao encontro de corações afoitos, diante da musa do entretenimento, super produzida graças a uma dura disciplina de exercícios e um make up poderoso que dá banho em muita ninfeta por aí. There's only one Queen, and that's Madonna... Bitch! Já professou Nicki Minaj. Quem vai duvidar? Madonna é acima de tudo a personificação da ousadia e da criatividade. Ela tem um instinto aguçado para descobrir de onde extrair potencial artístico. Seja de algo antigo ou de elementos modernos. E até onde ela irá? Só ela pra responder. Madonna sempre presenteará seus fãs com algo de sua inteligencia interpessoal. Mesmo que ela continue explorando os temas de sexo e religião (que gosto muito), ela ainda conseguirá tirar faíscas pra incendiar em performances esplêndidas.













domingo, 4 de agosto de 2013

Zona do desconforto


                                 




        Dúvidas. Dúvidas e mais dúvidas. É a sina de quem vive em fragmentos. Daquele que nunca pensa a longo prazo. Dúvidas. Pior se fossem dívidas. Ou não? De certo modo, não seria melhor ter como uma dívida, à própria realização pessoal em detrimento da dúvida? E o prazo encurta. As rugas aparecem. O arrependimento pesa na consciência. E eis que a vida, transforma-se num poço de nostalgia e delírio. Ecos da infância atravessam a mente. Trazendo a insônia e o peso das horas que parecem arrastar-se, em volta de um ser perdido na própria força imaginadora.
         E o mundo externo é só “good vibrations”. Trânsito intenso, sons estridentes, bares, os fast-foods, o i-phone 4 e um monte de parafernálias porvir. E eis-me aqui. Os fios que me ligariam a esse mundo foram-me negados há tempos. Meu mundo particular é um caos limitador. Paupérrimo. Pois, já que se tem de  viver  renunciando a tanta coisa, nós próprios criamos barreiras, antes mesmo de surgir alguma oportunidade, única que seja, de obter algo importante. Vive-se a contentar com alguma parte do essencial, pelo temor em relação às outras partes negadas. É o medo que escorre dos dedos. Que impede a ousadia de sequer olhar em volta e colher uma resposta positiva. Quantas chances não se perdem. Por viver a correr da própria essência, que é boa, sem maledicências.
        Algumas pessoas estudiosas da Bíblia Sagrada, afirmam que o mundo tá sendo dominado pelas “forças do inimigo”. Todas as injustiças, tragédias e outras atrocidades que acontecem é obra do “inimigo manipulador”. Como não sou adepto ao cristianismo, atribuo tudo de injusto e trágico que acontece, a própria ação humana, longe de qualquer interferência sobrenatural. São as atitudes humanas que ao longo da história, acumulam guerras e uma propensão a dividir o mundo entre opressores e oprimidos. De forma velada ou não. E há aqueles que se reprimem. Quem nem buscam no sobrenatural, no excepcional, uma força que os encoraje a emergir das cinzas o fogo que devore a vontade de viver e ver o mundo. O mundo. Como ele é. Que exige de cada ser, a vontade e a coragem de dar o melhor de si.
       

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Imaginem na Copa?

          Essa pergunta é recorrente no dia a dia das cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. Quem nelas vive, sabe o caos que é pra conseguir pegar conduções em horários de pico. Essa semana, acontece  no Rio de Janeiro, a Jornada Mundial da Juventude, evento da Igreja Católica que trouxe para nosso país seu maior representante: O Papa Francisco. Sua vinda não só confirmou o quanto ele é Pop, como evidenciou a falta de estrutura de nossas megalópoles para receber as milhares de pessoas que se “aventuram” nesse encontro em busca, ou na confirmação da fé cristã.
          Logo ao pisar em solo brasileiro, uma multidão já aguardava Vossa Santidade, o Papa Francisco. Fiéis o saudavam com louvores, esbanjando uma felicidade que eu sequer consigo imaginar existir. Eu que não conheço o que a humanidade inteira conhece do ser gente. Mas havia fiéis que extrapolaram. Na fé? Avançaram no veículo onde o Papa se locomovia, para desespero dos seguranças. Não bastaria um aceno? Alguns brasileiros são eufóricos demais. Tudo bem que ver alguém notório por qualquer ação benevolente é coisa raríssima. Ainda mais pra quem saiu lá de onde Judas perdera suas botas. O Papa é uma celebridade. Assim como a MC Anita ou o Luan Santana. Será que irei para o purgatório?
          Asneiras à parte, fico satisfeito pelo fato de muitas pessoas procurarem na religião, um meio dê fundamentos em suas vidas. Embora haja falhas, por parte de algum membro de igrejas (independente da religião), é fato que as religiões pregam a paz, a benevolência. Consequentemente, quem é adepto de alguma crença religiosa, fecha-se para o mundo dos vícios negativos e da criminalidade. Entretanto, participar dessa jornada trouxe muito desconforto para centenas de pessoas, sobretudo para quem não era Carioca. As filas do metrô estavam quilométricas. O sistema de transporte público da cidade é totalmente insuficiente pra suprir um evento como esse. Muitas pessoas de outros Estados, ficaram sem condução após as celebrações. E o pior: não havia quem lhes informasse qual condução atenderia ao destino dos perdidos na cidade grande. Eh Jornada Mundial da Juventude! Fazem lembranças para vender. Mas não elaboram medidas que proporcionem ao “Fiel visitante” uma volta pra casa na paz do Senhor.

         Perco-me facilmente em qualquer pensamento e nesse momento a novela tá tão emocionante. Com seu texto melodramático da mocinha que perdeu a guarda da filha, e foi rejeitada pela mãe biológica que acabara de conhecer. Ainda me impressiono com os velhos clichês novelescos. Mas voltando ao início, é revoltante os aspectos negativos que acontecem nesses eventos, como o desconforto dos fiéis nesse encontro Papal. Espero que os governantes encontrem meios para melhorar a cidade do Rio de janeiro. Afinal, os aclamados eventos esportivos estão quase chegando. Não se faz necessário os vândalos ocorridos a todo instante. Basta ver as centenas de rostos perdidos sem saber a que horas e qual condução tomar. 

domingo, 21 de julho de 2013

Maravilha para poucos

       Confesso que já fui mordido pelo bichinho do Rio. Toda a fama que a cidade possui com suas belezas naturais, há tempos chamaram-me atenção. Isso deve-se ao fato de tanto me deparar com o Rio, nas artes que aprecio. Muitos de nossos clássicos literários possuem narrativas passadas no Rio. Na música então, não faltam expoentes, de Cartola a Tom Jobim. Esse último recebeu uma linda homenagem, tendo canções suas interpretadas por Vanessa da Mata. Outra cantora que fez uma excelente canção em homenagem à cidade foi Paula Toller: Pane de maravilha é o amor declarado a uma cidade que, de fato, possui muitos encantos. Mas todos os encantos são capazes de fazer brotar no ser humano uma capacidade de viver pra construir uma “ Cidade maravilhosa” ?
         Parece um despropósito esse meu ângulo através do qual questiono. Óbvio que uma coisa é a cidade e suas paisagens com bairros bem construídos que agregam os que realmente vivem numa “cidade maravilhosa”. Aí vivem os globais, grandes empresários e parte da classe média. E bem do lado de cada bairro de bacana há uma enorme favela, com tudo o que há de peculiar nesses espaços. Ou melhor, não há nada que se possa chamar de maravilhoso. E sim tenebroso. O tráfico, o descaso com moradias dignas para seus habitantes, entre outros problemas que assolam o Rio de Janeiro. O que faz com que os privilegiados vivam numa bolha em relação a esse fator de favelamento, no qual a impressão que se tem é que tudo é “um mar de rosas”. Essa discrepância parece não interferir na boa convivência entre a elite da Zona Sul e os periféricos, que em sua maioria, geograficamente, nem estão localizados à margem da cidade. É uma questão de descaso com os valores humanos mesmo. Tantos casos trágicos, chacinas, turistas assassinados. E nenhuma medida tomada parece ser eficaz pra sanar esse emblema de criminalidade que fere o estigma de “Cidade maravilhosa”.

         Os frequentes protestos na cidade, comprovaram o óbvio: o descontentamento com os problemas que a maioria da população enfrenta (os manifestantes) e o fator que mencionei no começo: todos os encantos da cidade não são capazes de trazer para algumas pessoas, um olhar mais humano (vandalistas). Um olhar que agradecesse ao infinito, ou ao que se acredita. Por viver num lugar privilegiado por belezas naturais onde muitos homens souberam adornar com belas construções. Muitos monumentos históricos e tantos outros aspectos que inspiraram belas canções. Os homens que depredaram o Leblon, fizeram uso de violência. Essa selvageria é o cúmulo da falta de respeito com a população, com a cidade, e com o próprio indivíduo que não reconhece a dignidade da própria vida, ferindo-a, ao lançar mão da violência. O Rio, realmente deveria ser uma cidade maravilhosa. Essa maravilha bem que poderia transparecer num olhar das autoridades,  voltado para a população das favelas. Um olhar que deveria ser revertido em segurança, habitações dignas, saúde e educação eficientes. E não somente esse olhar que vive de aparências. Que beneficia a pouquíssimos.