domingo, 5 de agosto de 2012

Vamos pra faku?

      Obviamente muita coisa muda quando fazemos uma faculdade.  Conhecemos uma infinidade de signos; um oceano de informações transborda sob a nossa mente. Isso claro, se tivermos assiduidade e atenção nas aulas. Aprendemos também a economizar dinheiro e aproveitar o pouco tempo disponível para fazer os trabalhos. Levando em conta o cidadão assalariado que estuda numa universidade popular. Como eu.
       Apaixonado por Literatura e outras artes escolhi o curso de letras. E até agora, metade do curso concluído, tenho certeza que estou trilhando um bom caminho. Haja visto o imenso valor do referido curso. O contato com diversos tipos de textos, a busca pelo entendimento do próprio objeto linguístico e o uso da ferramenta essencial para o desenvolvimento das atividades do ser humano (comunicação). Tudo isso permite uma gama de possibilidades que transforma vidas, constrói saberes e dignifica nossa vida.
     Alguns professores são tão instigantes que acabam por servir de referência. O criterioso professor de Prática de ensino, exímio profissional que veste a camisa do ofício. Tão rígido que alguns alunos sentem-se sufocados com seus métodos e sua personalidade perfeccionista. A de Língua portuguesa II e sua facilidade de lecionar  cativando a sala inteira (tão doce que parece a professora Helena de Carrossel). A de teoria da literatura II que viajava nas obras literárias, mas com o pé no agora já. E com um estilo todo próprio de vestir-se. Enfim, uma figura. O de literatura portuguesa, também viajava nos períodos clássicos, árcades e realistas-naturalistas de forma que,sua aula mas parecia um monólogo, tamanha era sua oratória que dava sono naqueles que pouco interesse tinham nos conteúdos.
       Alguns alunos também são difíceis de esquecer. Aqueles que fazemos amizades verdadeiras; Aqueles que são os palhaços da turma; Aqueles que são tão esforçados que tornam-se dignos de nossa  admiração; Assim como os super-dotados, com inteligência de dar inveja num mero aluno meio-termo como eu. Em pensar que tenho cara de inteligente... Tem tanta figura em minha sala que no término de cada semestre é feito uma premiação com os destaques nas mais absurdas categorias, o blog do varal que tem como mentor um aluno super criativo que tem como um dos talentos fazer paródias de importantes clássicos literários.
        São tantas histórias, trabalhos em grupo, leituras e  mais leituras, brincadeiras que dá saudades nas férias. Por mais que o contato se mantenha nas redes sociais o essencial mesmo é o estar numa sala de aula, interagindo e cooperando com a construção do conhecimento e angariando esperança de um futuro onde prevaleça uma Educação de qualidade. 

domingo, 22 de julho de 2012

São crianças como vocês...


        

      Com um elenco estelar formado por apenas quatro atores e apenas o apartamento de um casal como cenário, O Deus da carnificina é um filme que tem no diálogo dos personagens, o grande trunfo para prender a atenção do público do começo ao fim. Logo no começo é mostrado superficialmente um grupo de meninos brincando quando de repente dois deles se desentendem e partem para a agressão. É o que dá início a discussão que acaba ocasionando na perda de compostura dos pais das crianças envolvidas.
      Os pais do agressor são: Nancy Cowann (Katie Winslet), sempre elegante e educada e Alan Cowann (Christopher Waltz). Esse, com um comportamento totalmente inadequado destilando cinismo pra todos os lados, restando a Nancy tentar corrigir a situação. O outro casal, pais da criança agredida são: Michael Longstreet (Jonh C. Reily) e Penelope Lomgstreet (Jodie Foster). Um homem bondoso, porém com uma forte personalidade que a certa altura do filme vem à tona. Enquanto sua mulher é guiada por rígidos princípios morais.
      A princípio eles tentam resolver a situação da melhor maneira possível. Nancy e Alan visitam o casal Longstreet para se desculparem por seu filho ter agredido o deles. Porém não há civilidade que impeça que uma hora os defeitos do ser humano apareça. O cinismo e má conduta de Alan batem de frente com a discrição e sentimento de família vitimizada pelo acontecimento (seu filho teve dois dentes quebrados na briga) de Penelope. Por mais que Nancy peça desculpas e que Michael se mostre tolerante a situação, o impasse não é resolvido. Eles perdem o controle da situação, principalmente as mulheres. Daí esquecem o motivo que os reuniu, trocam ofensas mútuas faltando pouco para se igualarem a um grupo de crianças longe de conhecerem as boas regras de convivência que estruturam a sociedade.
      Dirigido por Roman Polansk, O Deus da carnificina, cumpre seu papel ao ser transportado dos palcos teatrais para as telonas. Mérito do primoroso elenco que soube incorporar com maestria esse instigante texto que expõe os verdadeiros sentimentos da humanidade, que ultrapassam as formalidades em nome dos reais interesses individuais.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

So sad

       É, estou chegando aos 30. E com isso me veio a mente uma série de questões acerca da minha vida. o que fiz ao longo desses anos? Onde acertei? O que eu poderia ter feito e nem fiz? Será que estou desperdiçando o tempo com frivolidades e pequenos hábitos repetidos que de nada acrescentam ao meu espírito? A dúvida anda comigo a todo instante. E a resposta pra elas estar na minha frente e eu a ignoro. Profundissimamente estagnado pela inércia. Carrego os dias ao invés de vivenciá-los.
       É desconfortável saber apenas o que não se quer. Pior ainda é andar alienado num mundo que parece insignificante aos demais, que na maior parte do tempo estão sob efeito de algum problema real. Acho que sou apenas uma sombra, uma casca, um sopro de vida que nem cogita formar ventos de mudanças. Mudanças que viriam como respostas as tais dúvidas que me arrastam para o abismo que criei e não sei como sair. Tenso. Angustiante. Bate o arrependimento por aquilo que não mantive. Como ter a tranquilidade e o companheirismo de quem dar afeto e simplesmente deixar escapar? Fora atitude impulsiva? Talvez. Talvez não era a segurança que eu procurava. Será que tenho o dom de querer o impossível? Realmente sou uma interrogação infinita.
        Quase não sinto emoção alguma. a música já não entoa o que sinto. As paisagens nem me consolam. E os pássaros esqueceram de alegrar minhas manhãs. As tardes de fim de semana nem me comovem como outrora. Ouve outrora? Nem em meus sonhos. Acostumar-me-ei a isso? Não. Definitivamente não seria digno para comigo. Hei de esmiuçar o mais emaranhado de meu cérebro para encontrar uma maneira de alegrar meus dias. Creio não ser impossível promover uma mudança e manter minha essência que nem sei mais qual é.  

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Entendendo o Realismo


         O romance realista surgiu na segunda metade do século XIX, e teve como característica principal, uma  reação aos ideais do romantismo.  Ou seja, ao invés do subjetivismo romântico, do lirismo, da fantasia dentre outros aspectos do romantismo, produziu-se  uma literatura mais próxima da realidade. Para isso, os realistas focalizavam os fatos tal como eles se apresentavam, despindo a ficção da fantasia. Deixando de lado as aparências para procurar as essências, desmistificando as hipocrisias do homem e da sociedade na qual ele interfere diretamente. Isto é, através dos personagens, abordavam os conflitos sociais. Seja na burguesia, no proletariado ou no clero, na sociedade urbana e na sociedade rural e entre ideologias contrárias. Tudo serviu de base para os romancistas do realismo fazer uma literatura de caráter de denúncia da sociedade vigente na época.
        No romance realista a linguagem é mais objetiva e mais próxima da fala das personagens em foco. Sem o tom sublime das obras românticas de outrora. O narrador realista relata detalhadamente o ambiente (espaço), as ações dos personagens, assim como suas características, tanto físicas quanto psicológicas. Nas palavras do escritor português  Eça de Queiroz, “Outrora uma novela romântica, em lugar de estudar o homem, inventava-o. Hoje, o romance estuda-o na sua realidade social”. O romance realista assume um caráter mais social, visando uma amplitude do conhecimento e das ações e intenções do homem. Os amores, as conquistas de poder, os laços familiares, a disputa entre as classes sociais (burguesia, proletariado),  tudo foi retratado de maneira objetiva como um fiel painel do homem e seus interesses levados as últimas consequências.
        O romance “O crime do Padre Amaro”, de Eça de Queiroz,  foi a primeira obra literária desse gênero em língua portuguesa. Revelou o maior romancista português e chocou a sociedade da época com sua denúncia da hipocrisia social e religiosa. Nesse romance Eça de Queiroz  aborda detalhadamente , que o homem é um produto do meio em que ele vive, ou seja, ele sofre as influências que o rodeiam. E que também age de acordo com o que sua  natureza determina,  isto é, o homem sucumbe aos seus instintos naturais. O que é evidenciado nesse romance pelo amor carnal entre o padre Amaro e Amélia. Essa afirmação é explicitada na fala da personagem “Totó” ao relatar o que se ouvia quando Amaro e Amélia ficavam a sós: “São como cães”. Devido a essa característica, “O crime do Padre Amaro” é considerado um romance de cunho realista-naturalista. O enredo é construído através do cotidiano dos personagens, onde são expostas todas  as facetas do ser humano, ou seja, a inveja, as paixões, a loucura, as explorações sociais e etc. Longe das imaginações inatas das obras literárias anteriores a esse período, e um olhar voltado ao estudo dos fenômenos vivos.

sábado, 9 de junho de 2012

Reflexos



 Reflexos

 O espelho reflete a imagem
 Quem ele refletirá
 Quando eu estiver de passagem
 Quando ele se quebrar

 A palavra reflete o de dentro
 E ela reflete um a um
 Quem com pena e tempo
 Descreve-se algum

 By: Dourado O'haress

domingo, 20 de maio de 2012

"Tenho quase certeza que eu não sou daqui"



        Os habitantes de uma metrópole como São Paulo, vivem sob um ritmo muito acelerado. Aliás, muitos dizem que não vivem. Sobrevivem na “selva de pedra”. Logo cedo, saem para trabalhar e enfrentam uma situação típica de uma selva animal: correm e empurram uns aos outros para conseguir entrar no trem ou metrô. Nos ônibus não chega a isso, mas também são lotados. Durante o percurso, observando – os nota-se como é a vida de muitos deles. Pelas conversas, pela roupa e pelas expressões demonstradas. É uma vida sem muito sentido. Por mais que as pessoas vivam de maneira parecida, com hábitos semelhantes, tudo resulta numa pequinêz, haja visto a infinidade de seres vivos (animais, bactérias, vegetais etc) no planeta terra.
        Geralmente as pessoas andam acompanhadas com uma ou mais pessoas. Mesmo sem ter afeição por ambos. Elas juntam-se a quem têm afinidade ou interesses em comum. Na linguagem popular “ formam panelinhas”. “Nenhum ser humano é uma ilha”, já dizia o poeta inglês Jonh Done. As pessoas necessitam da convivência em grupo. Se ficarem sozinhas por muito tempo, logo se aborrecem e perdem a noção de humanidade, ou seja, não conseguem agir como uma pessoa comum, que fala, anda, come e etc. Elas têm a necessidade de se reconhecer no semelhante. Buscam traços em comum, e o que não é comum a elas é tido como estranho. Várias vezes as pessoas surpreendem-se com os fatos. Esquecem que são elas que não buscam enxergar numa dimensão mais ampla, abrangente, que não cause perplexidade com inesperados atos dos semelhantes.
        Na cidade grande observa-se uma pluralidade de estilos, comportamentos, adquiridas no próprio ambiente (a cidade) ou originadas de outras partes do mundo. Cada uma convive com seus aderentes, ou seja, ao grupo que adota tal hábito. Nos homens, na maioria, há uma vibração por causa de uma corrida atrás de uma bola. Nas conversas entre eles o assunto é recorrente. Eles defendem uma equipe de forma a provocar rixas entre as outras equipes. Enfim, tais jogos fazem parte da vida deles, de uma maneira que eles expressam várias emoções: sorrisos, raiva, euforia etc. Alguns chegam a exagerar e provocam discussões chegando à violência. Ao que chamam de fidelidade ao time. Tal fenômeno ( apreço ao futebol) é uma das características do nosso país. As famílias logo cedo escolhem o time pelo qual o filho irá torcer.
        Outra característica comum, sobretudo nos jovens é a preocupação em ostentar roupas ou calçados de determinada etiqueta, ao que chamam de moda. Abastados ou não, todos fazem ideia desse fator modernidade. As mulheres, sempre combinam algum ítem, usam brincos e competem entre sí quanto à aparência. Os homens aderem a tatuagens mais que as mulheres. A vaidade é um dos signos que mais permeia a mente humana. Além da vaidade há os vícios que conferem certo poder. Desafia os limites do ser humano. Os jovens bebem e fumam pra impressionar os outros e acabam,  muitas vezes, presos ao vício. E toda a euforia de outrora se transforma em incômodo, problemas físicos, emocionais e sociais também. Porque há o envolvimento das pessoas que o rodeiam, geralmente a família.
          Sendo assim, não fica difícil entender porque há tantos conflitos, corriqueiros ou não. O fato é que o homem não é uma espécie tão exclusiva assim. Suas ações, assim como a de outros seres vivos tem um prazo de validade, assim como as sensações, vão e voltam, dia após  dia. Eles vivem em prol de suas emoções, interpretando a vida e moldando conforme determinam o que lhes for conveniente, sobretudo o que for agradável aos olhos.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Devaneio e dor

           Sensações oníricas reinam em meu ser.
           Resvalam-se os afagos que desejei,
           Um sorriso dissimulado a desfazer.
           Entre beijos que não mais sentirei.

           Tuas palavras desfaleceram ao vento.
           Foram também as lembranças ternas.
           De um singelo e rústico sentimento.
           Que as cicatrizes tornar-se-ão eternas.

           Quisera eu humildemente dissimular.
           Pudera não mais o desdém suportar,
           E o desprezo, o asco não mais sentir.

           E as lamúrias e tormentos a arrastar.
           De toda uma estúpida vida a consentir.
           Que milágrimas não poderão sanar.